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Linguagem: quando é preciso consultar um fonoaudiólogo?

Especialistas explicam quais sinais indicam atrasos na fala A maior parte das crianças começa a falar por volta dos 12 meses....

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Linguagem: quando é preciso consultar um fonoaudiólogo?

Especialistas explicam quais sinais indicam atrasos na fala


A maior parte das crianças começa a falar por volta dos 12 meses. Aos 2 anos, elas são capazes de formar frases com duas palavras, pronunciar entre 30 e 50 delas e compreender cerca de 200. Mas é claro que cada uma tem o seu próprio ritmo. Além disso, diversos fatores influenciam o processo, como estímulos, deficiências auditivas e neurológicas e até mesmo o sexo. “As meninas, de um modo geral, tendem a falar antes. Assim como acontece com o desenvolvimento físico, elas são mais precoces do que eles também na aquisição da linguagem”, explica a fonoaudióloga Irene Marchesan, presidente da Sociedade Brasileira de Fonoaudiologia (SBF).

Entre os 4 e os 5 anos, segundo a especialista, espera-se que todos os fonemas (som das letras) já tenham sido adquiridos, incluindo os mais difíceis como “r” e “l”. Mas até aprender a falar tudo, as crianças obviamente irão trocar algumas letras e comer outras. Também é normal repetir palavras ou sílabas, pois muitas vezes a fala não acompanha a velocidade do pensamento. Quando, então, é o caso de consultar um fonoaudiólogo? “O processo de aquisição da linguagem acontece por etapas. Primeiro a criança balbucia, depois fala algumas palavras, monta frases, pronuncia todos os sons corretamente, e assim por diante. Não ocorre de um dia para o outro.Se os pais, o pediatra ou a escola perceberam que há atraso em alguma fase, vale a pena buscar ajuda de um especialista”, diz Irene.

Fora da zona de conforto
Não é regra, mas acontece com frequência: as crianças costumam, de fato, soltar a língua quando entram na escola. Isso porque, longe de casa, são obrigadas a se virar sozinhas. Têm de se esforçar para se comunicar e interagir. O contato com outras crianças e com os professores também é um ótimo estímulo para aumentar o vocabulário e aprender palavras que fazem parte do cotidiano de outras famílias. A escola sozinha, entretanto, não faz milagre. “Muitas vezes, o pediatra recomenda que a família aguarde até a criança entrar na escola, por volta dos 2 ou 3 anos. Mas se ela fala muito menos do que o esperado para a idade dela antes disso, vale a pena fazer uma avaliação fonoaudiológica. Nem que seja para tranquilizar os pais”, recomenda a fonoaudióloga Flávia Ribeiro, fonoaudióloga do Hospital e Maternidade São Luiz Itaim (SP).

Por que ele não fala ainda?
Entre os problemas mais comuns que causam atraso na linguagem estão os auditivos, os neurológicos (como autismo e síndrome de Down) e os respiratórios. As deficiências na audição são a primeira coisa a ser investigada. Pois mesmo que a criança tenha feito o teste da orelhinha ao nascer, otites de repetição e outras doenças podem afetar a audição e, por consequência, a fala. Já os problemas respiratórios, como rinite e outras doenças que fazem a criança respirar de boca aberta, prejudicam o tônus muscular, de modo que as palavras não são pronunciadas corretamente – o mesmo ocorre por causa do uso exagerado de chupetas e mamadeiras.

Muitos casos de atraso na linguagem não exigem um longo tratamento, apenas uma orientação aos familiares para estimular a criança adequadamente no dia a dia. Em vez de dar tudo de imediato, por exemplo, eles terão de aprender a esperar que ela peça, e não apenas aponte o que quer. Também acontece muito de os pais ou cuidadores repetirem as palavras erradas, do mesmo jeito que a criança, quando o  melhor é ensiná-las o jeito correto. “A linguagem e o pensamento estão interligados. A falta, portanto, pode interferir no desenvolvimento como um todo. Aos 3 anos de idade, uma criança já é capaz de falar do passado. Mas se só sabe apontar, como é que vai aprimorar a habilidade narrativa?”, exemplifica Flávia.

Por Malu Echeverria

Fonte: Crescer

O desenvolvimento da audição dos bebês

Diferente do que acontece com a visão, a audição dos bebês é mais acurada desde o nascimento. Tanto que, ao ouvirem a voz da mãe, muitos recém-nascidos param de chorar. Claro que ainda não é uma audição 100%, mas, logo que chegam ao mundo, eles já têm de responder a ruídos externos.

O chamado teste da orelhinha, feito ainda na maternidade pode constatar se a criança está reagindo de acordo com o esperado. Caso contrário, ela já é encaminhada para uma avaliação mais aprofundada, pois, quanto antes começar o tratamento, maior sua eficácia. 

O normal é reagir a ruídos como palmas desde o primeiro mês e, aos poucos, começar a reconhecer de onde vêm os sons – você vai notar que ele move a cabeça em direção ao barulho.

Ao redor dos 2 meses, o bebê pode começar a balançar as pernas e os braços ou até sorrir enquanto conversam com ele. Além de conversar, estimule a audição com músicas calmas e histórias”, sugere Mariana Frayha.
Por Daniele Zebini
Fonte: Crescer

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Leitura dá acesso a 70% mais palavras para as crianças

Estudo realizado na Universidade da Califórnia comparou transcrições de diálogos comuns que as pessoas têm com os pequenos e a mesma quantidade de textos retirados de livros infantis

Se você já sabia que ler para o seu filho desde muito cedo é importante, agora, tem mais um motivo para continuar separando um tempo na rotina para essa atividade. Além de todos os benefícios que a leitura traz para o desenvolvimento e para o vínculo, pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, chegaram à conclusão de que a leitura dá acesso a 70% mais palavras do que as conversas que pais e mães costumam ter com a criança.
O ponto principal é que, claramente, há mais palavras únicas no texto de livros de imagens do que em um discurso direcionado a uma criança. Acho que o principal benefício dos livros é que eles introduzem novos assuntos e novas palavras que, geralmente, ficam de fora do escopo da rotina de uma criança”, explica Jessica Montag, uma das responsáveis pelo estudo.
Silvana Augusto, educadora e pesquisadora em Educação Infantil, concorda. “Apesar de ser a mesma língua, a leitura tem uma linguagem que não é igual a da fala. Ela amplia as possibilidades e possibilita um avanço na capacidade de representação da criança, quando ela quer se expressar”, explica.
Desde cedo
Há quem pense que é bobagem ler para um bebê desde cedo, já que ele “não vai entender nada mesmo”. Nada disso! Ler para uma criança nos primeiros meses de vida faz diferença, sim. “Eles podem não entender o conteúdo da história, mas compreendem o ritmo, a maneira como a mãe e o pai falam quando estão lendo um texto”, diz Silvana. Duvida? Preste atenção no rosto de um bebê enquanto a mãe conversa com ele. Depois, veja como a expressão dele muda quando ela lê um livro. “Eles percebem a mudança, arregalam os olhos, sorriem, tentam...”, descreve a especialista.
Mágica e curiosidade
Além de ampliar o vocabulário e de favorecer o desenvolvimento, ajudando os bebês a perceberem diferenças no comportamento e na maneira de falar quando alguém lê, o contato com a literatura também conta no desenvolvimento da escolaridade. “Para uma criança, a estabilidade da escrita é quase uma mágica. Eles pensam: ‘Como é que quando a minha mãe pega esse livro, ela conta essa história de um jeito e, aí, minha professora pega o mesmo livro e conta a mesma história, do mesmo jeito?’ Para as crianças, é um mistério - e isso desperta a curiosidade e a vontade de entender como aquilo funciona, ou seja, o desejo de aprender a ler e a escrever, mais tarde”, explica a educadora.
Quando a TV substitui a leitura

Se os livros oferecem o contato com palavras diferentes, que não são tão usadas no cotidiano, a televisão, os smartphones e os tablets também podem cumprir esse papel, certo? Sim e não. Ao assistir a um desenho animado, por exemplo, a criança também pode aprender palavras novas. No entanto, nenhum desses aparelhos substitui a leitura. “Podem até ser complementares, mas o modo de expressão, com os livros, é diferente”, afirma Silvana.
Enquanto com a televisão, as crianças são passivas, apenas espectadoras, com a leitura, há uma interação. Os pequenos ficam em contato com o autor, que é contador daquela história, mas isso é intermediado por alguém, que pode ser o pai, a mãe, o professor... “É um momento de qualidade e contato”, resume a especialista.
De leitor a contador
Outro impacto interessante que a leitura traz para as crianças é que o contato com esse ritmo específico, com um universo maior de palavras e com as narrativas permite que elas se tornem contadoras de histórias mais tarde. “A criança vai de passiva, quando só ouve a leitura, à ativa, quando ela mesma é quem começa a contar o que quiser”, afirma Silvana. Essa atitude, além de ser positiva para a socialização, ainda estimula diversos pontos. “Para contar uma história, é preciso acessar a memória, ativar a representação, encontrar palavras. Tudo isso estimula também a autonomia, desde muito cedo”, diz a especialista.
Questão de vínculo
Ler com os filhos estimula a imaginação, oferece esse contato com palavras incomuns e ainda favorece o vínculo com os pais. A atividade pode ser feita desde que a criança é apenas um bebê, mesmo que ele ainda não compreenda o conteúdo, e não tem idade para acabar. Ainda que seu filho já tenha desenvolvido a habilidade de ler sozinho, muitas vezes, aquele momento de leitura com a mãe ou com o pai pode ser um momento desfrutado em família, com aconchego e contato. As histórias podem aproximar e inspirar diálogos sobre novos assuntos. Ler não tem idade!

Por Vanessa Lima
Fonte: Crescer

A importância do teste da linguinha para a amamentação

Especialista esclarece as principais dúvidas sobre o exame


Quando Lídia, hoje com 1 ano, nasceu, sua mãe, Daniele Aragaki, notou que a filha apresentava dificuldades para mamar. “Eu senti que havia algo errado; ela fazia muita sucção e eu fiquei muito frustrada, pois havia pesquisado muito para amamentar. Na maternidade, havia alguns grupos de amamentação e, com eles, aprendi várias técnicas. Foi positivo, mas fiquei muito tempo achando que o problema era comigo. Eu chorava para dar de mamar e ela não ganhava peso direito. Quando Lídia completou 6 meses, fui a uma pediatra que identificou que ela tinha algum problema na língua. Procurei uma fonoaudióloga e fizemos o teste da linguinha. A indicação foi cirúrgica, mas ficamos com receio. Os exercícios foram suficientes para ela mamar melhor e eu continuo amamentando", conta.
Casos com o de Lídia não são incomuns. Tanto que, desde 2014, hospitais e maternidades públicas e privadas são obrigadas a realizar o chamado teste da linguinha, conforme determinado pela Lei 13.002/2014.  Para esclarecer as principais dúvidas sobre o procedimento CRESCER  conversou com a fonoaudióloga Raquel Luzardo, especialista em linguagem e diretora da clínica Fonoterapia (SP).
CRESCER - O que é e para que serve o teste da linguinha?
Raquel Luzardo - O teste da linguinha é um procedimento que serve para detectar se a criança tem a língua presa ou não. Ou seja, se o frênulo, a membrana que conecta a língua ao assoalho da boca, tem algum problema.
C -  Quando deve ser feito o teste e como ele é realizado?
RL - O teste deve ser feito nas primeiras horas de vida do bebê, ainda na maternidade. Isso é muito importante porque evita o desmame precoce. Caso não seja possível, o procedimento pode ser feito em consultório. O teste é basicamente observação e manipulação com os dedos. Ele deve ser feito por um fonoaudiólogo. Nele, observa-se a criança durante a mamada para ver a funcionalidade do frênulo. Depois, há uma análise anatômica, onde prestamos atenção, por exemplo, na postura da língua durante o choro.
C - O teste é gratuito?
RL - Segue-se o mesmo princípio dos outros testes, como o do pezinho e da orelhinha. Ele é oferecido gratuitamente pelo SUS e pago quando realizado no consultório.
C - Como os pais podem perceber que o filho tem a língua presa? Há relação com a amamentação?
Raquel Luzardo - A língua presa atrapalha na sucção da mamada. A criança mama pouco, não consegue sugar e pegar de maneira adequada no bico do peito, o que, muitas vezes, machuca a mãe e acaba levando ao desmame precoce. Mais tarde, a criança pode ter dificuldades de passar o alimento de um lado para o outro da boca, além de demonstrar problemas com a fala. Alguns fonemas se tornam mais difíceis de executar, como o “l” e o “r”. Em vez de falar morango, ela vai falar “molango”, por exemplo. Tais situações podem deixar a criança mais tímida, retraída e a faz evitar algumas palavras ou sons, que peçam a elevação da língua.
CRESCER - Quando a cirurgia é indicada?
Raquel Luzardo - Há vários níveis de língua presa. A grosso modo, o teste tem uma pontuação que varia de zero a 27, mas depende da faixa etária do paciente. Conforme a idade, a partir da pontuação 9, a cirurgia é indicada. O procedimento é simples. Nestes casos, basta um pique (um corte pequeno no frênulo) para corrigir o problema. O procedimento, que deve ser feito por um dentista, otorrinolaringologista, ou cirurgião plástico, leva cerca de 10 minutos, não precisa de anestesia (uma pomada anestésica basta). Os bebês podem mamar logo depois. Não há limite mínimo ou máximo de idade para realizar a cirurgia. No entanto depois que a criança completa 1 ano, ela pode ser mais complicada, exigindo internação e anestesia.


Por Gladys Magalhães

Fonte: Crescer

Apraxia da fala na Infância (AFI): O que é isso?


A Apraxia (ou "Dispraxia") é um distúrbio de origem neurológica que consiste no envio incorreto de informações para o cérebro planejar e executar determinados movimentos. Ela pode ser classificada como Global (quando acontece em várias partes do corpo), Oral (na boca e seus movimentos) e/ou

Fala (ou verbal, na qual a dificuldade é específica para a produção dos sons de fala), os fatores que causam Apraxia não são totalmente conhecidos e esse distúrbio pode acontecer (ou não!) em paralelo com outros – por exemplo, Transtorno Sensorial ou do Espectro Autista.

Você conhece alguém que apresenta a marcha do andar alterado ou não consegue movimentar a mão de forma adequada? Isso pode ser resultado da falha cerebral no envio das informações à perna ou à mão. O mesmo acontece para a produção da fala. A modelagem de cada som é dada por diferenças milimétricas e dos movimentos de língua, lábios, céu da boca e dentes. Por isso, qualquer falha nas etapas de processamento, planejamento e execução causa uma alteração. Por isso, muitas vezes a criança fala uma coisa querendo dizer outra. Exemplo: em vez de casa, ela diz caca, ate ou api. Essa é uma fala bem aquém do esperado, mas é notório que ela sabe exatamente o que queria dizer.

Segundo a ASHA, o diagnóstico diferencial de Apraxia só deve ser conclusivo aos 3 anos de idade.

Entretanto, se houver uma desconfiança antes dessa época, o paciente deve ser acompanhado em terapia diagnóstica, cujo trabalho é voltado para as alterações já pontuadas naquela criança. Os principais sinais Apraxia de Fala na Infância são:
  • Até os 12 meses: Os bebês são muitos calados e/ou têm um repertório limitado de balbucios, apesar de interagirem bem com os adultos;
  • Entre 12 e 18 meses: Quando se espera que as crianças aumentem o vocabulário, as crianças com AFI podem ter perda de palavras já faladas anteriormente;
  • Por volta dos 2 anos de idade: É diagnosticado um atraso no desenvolvimento de linguagem oral;
  • Aos 3 anos de vida: Nessa fase, as crianças já são bem compreendidas, apesar de um erro ou outro de pronúncia, mas as que têm Apraxia de Fala podem ainda nem estar falando ou podem ter a fala bastante ininteligível, com erros de pronúncia que mudam muito e que são incomuns (por ex: trocas de vogais), dificuldade de falar as palavras com mais sílabas, omissão da primeira sílaba.
  • Desde a primeira infância: dificuldade de imitação (ex: mostrar a língua, fazer careta, se houver Apraxia Oral associada à AFI), alterações de produção e articulação dos sons da fala e na melodia (prosódia) da fala e acentuação das sílabas. Elas podem falar um determinado som (por ex: “p”) em algumas palavras (por ex: "pá", "papai") e omissão deste mesmo som na repetição de outras palavras mais difíceis  ("pedido", "parque", "capa") ou em momentos de fala espontânea.
Vale ressaltar que, como em qualquer distúrbio, os sinais da Apraxia de Fala podem variar em menor ou maior grau e em presença/ausência, o que torna o diagnóstico bem complexo. Então, o que vocês, enquanto pais, familiares e profissionais de crianças, precisam se atentar e procurar um fonoaudiólogo:
•  Se a criança não está acompanhando as etapas do desenvolvimento de linguagem. Lembrem-se de que não é normal demorar para falar!
•  Se a ausência/alteração da fala não é justificada por alterações na estrutura muscular da região da boca, auditivos ou psicossociais.
•  Se o ambiente é rico em estimulação, os pais ficam horas brincando com ela, está bem adaptada à escola, e a inteligência está preservada e mesmo assim há algumas falhas.
•  Se a criança está em um longo processo terapêutico fonoaudiólogico (há mais de um ano), mas não há avanços visíveis no quadro apresentado pela criança.

As pesquisas no Brasil nesta área ainda estão caminhando, bem como a formação de profissionais especializados. Por isso, nem sempre é possível fazer um diagnóstico rápido e eficaz.

Então, a sugestão é: lute por uma intervenção adequada e precoce que vise o treinamento intensivo de fonoterapia. Às vezes, o esforço pode demorar um pouquinho mais do que gostaríamos, mas vamos possibilitar a comunicação das nossas crianças!

Por Lilian Kuhn
Fonte: Crescer